Combate ao incêndio nos tanques da Ultracargo, na Alemoa, entra no quarto dia

Três tanques continuam em chamas e Bombeiros lutam para evitar que fogo se propague

Passadas mais de 72 horas do início do incêndio nos tanques de combustíveis da Ultracargo, na Alemoa, em Santos, o clima entre Bombeiros e profissionais que combatem o fogo é de otimismo.

Há uma boa expectativa de que, com a chegada de dois caminhões e um navio-plataforma da Petrobras, prevista para este domingo (5), seja possível acelerar o fim do incêndio, que tem preocupado os moradores da Baixada Santista desde a manhã de quinta-feira (2).

Os novos equipamentos jogarão espuma sobre os tanques, com o objetivo de minimizar o contato do combustíveis com o oxigênio, o que provoca o fogo. Não há como combater diretamente as chamas. É preciso esperar que todo o líquido dos toneis seja queimado.

“O clima é de otimismo, porque a possibilidade de o fogo acabar hoje ainda existe”, afirmou o capitão do Corpo de Bombeiros Alexsandro Vieira. “Por isso, nós vamos continuar nos esforçando ao máximo para resolver isso hoje”. São 150 bombeiros e 35 viaturas envolvidos na operação.

Segundo a última atualização, são seis tanques atingidos, sendo que três continuam em chamas. Até a madrugada eram quatro, após nova explosão na tarde de sábado (4), mas os Bombeiros conseguiram diminuir a área do incêndio.

Diante da grave situação, o Governo do Estado anunciou a criação de um gabinete de gestão de crise, com participação do vice-governador, Márcio França, dos secretários Saulo de Castro (Governo), José Roberto Rodrigues de Oliveira (Casa Militar), Alexandre de Moraes (Segurança Pública) e Patrícia Iglecias (Meio Ambiente), do comandante do Corpo de Bombeiros, Marco Aurélio Alves Pinto, e do general do Exército, João Chalela Júnior.

Por volta das 11 horas deste sábado começou uma reunião na Prefeitura de Santos entre todas as autoridades envolvidas na ação. Depois, haverá entrevistas coletivas à imprensa.

O Corpo de Bombeiros mantém a estratégia de resfriar os tanques vizinhos aos que estão em chamas para evitar que o fogo se propague ainda mais. Para isso, são utilizados jatos de água, vinda do mar, por meio de rebocadores e da embarcação Governador Fleury, do Corpo de Bombeiros.

Possibilidade de evacuação

Moradores dos bairros Piratininga e São Manoel, em Santos, receberam avisos oficiais, por telefone e visitas às casas, sobre a possibilidade de evacuação. Munícipes relatam ter atendido a uma ligação avisando que a situação do incêndio se encontra estável e que existe um plano de emergência para a saída deles, se necessário.

Em entrevista à A Tribuna, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa descartou a possibilidade de retirada imediata de moradores das áreas vizinhas ao local do incêndio. “Até o momento não há previsão de evacuação em nenhuma área da Cidade. Isso está descartado”.

Ele salienta que, caso a medida seja necessária à frente, o Município está preparado. “A legislação obriga o Poder Público a contar com um plano de emergência. Nós o possuímos e podemos colocá-lo em operação a qualquer hora”.

A Reportagem apurou que a Prefeitura de Santos informou aos assistentes sociais que eles estão de sobreaviso e poderão ajudar e orientar a população se houver necessidade de evacuação dos bairros. “Se acontecer algo, onde vão colocar tanta gente?”, preocupa-se Marlene França Duarte, de 73 anos, que mora no Piratininga.

A aposentada Maria de Lourdes de Oliveira, de 79 anos, também de Piratininga, recebeu visita de uma funcionária da Prefeitura, para avisar sobre o plano de emergência. “Aqui está todo mundo apavorado. Não conseguimos viver nossa rotina em paz desde a primeira explosão”, lamentou.

A também dona de casa Daniela Feitosa e sua mãe, Jacira, de 82 anos, só rezam para que nada pior aconteça. “Estamos numa grande apreensão. Eu fico em casa, com a minha mãe, enquanto meu marido e minha filha saem quase todos os dias para trabalhar e estudar. Eles ficam preocupados com a gente”, disse Daniela.

Danos ambientais e à saúde

Desde o início do incêndio, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) têm monitorado os possíveis danos ambientes e riscos à saúde pública decorrentes do incêndio. Até o momento, de acordo com o órgão, a qualidade do ar é boa, apesar do alerta de especialistas de que pessoas com doenças respiratórias e alérgicas devem se manter longe da fumaça.

“A inalação de um gás em combustão química em área livre não é perigosa para pessoas saudáveis”, explica o pneumologista Alex Macedo.  “No entanto, pacientes com histórico de bronquite, asma e enfisema pulmonar devem tomar medidas preventivas e ficar atentos aos sintomas”.

Manter a residência fechada, com panos úmidos cobrindo todas as frestas de portas e janelas, e lavar o nariz várias vezes ao dia com soro fisiológico são medidas básicas, principalmente para os que moram nas regiões da Alemoa, Casqueiro e Saboó. Diante de sinais como tosse, falta de ar e chiado no peito, é importante procurar atendimento médico.

Para o médico intensivista Felipe Piza, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, que esteve no local do incêndio prestando atendimento principalmente aos bombeiros, provavelmente quem não teve contato direto com a fumaça não terá problemas graves de saúde.

A secretária estadual do Meio Ambiente, Patrícia Iglecias, disse que o aparecimento de peixes mortos no canal do Porto está sendo investigado. Apesar de não ser possível estabelecer uma relação imediata entre a morte dos peixes e o incêndio, a recomendação à população é que evite o consumo destes pescados.

”A Cetesb está monitorando este acidente desde o início. De fato, foram encontrados peixes mortos. Eles foram recolhidos e agora está sendo feita uma análise porque ainda não é possível dizer que há um nexo causal entre a mortandade de peixes e o problema do acidente. Essas análises vão ser feitas e, no máximo em 30 horas, vamos ter esses resultados”, comentou.

A Tribuna flagrou diversos peixes mortos em diversos pontos de Santos, Guarujá, Cubatão e São Vicente. A Reportagem percorreu um trecho de aproximadamente 1 quilômetro no Canal do Estuário, dentro de uma catraia. No local, boiavam peixes como paratis, bagres, espadas, corvinas e manjubas.

Como o acidente ainda está sendo monitorado pela Cetesb, ainda é cedo para dimensionar o impacto do acidente ao meio ambiente. “Toda cautela é necessária agora e tudo que tem que ser feito, está sendo feito”.

A secretária de Meio Ambiente afirma ainda que, apesar da fumaça ser considerada tóxica, o medidor de partículas da Cetesb “não encontrou VOC (combustíveis voláteis que podem causar essa fumaça) no sentido de uma contaminação problemática para a população”.

Fonte; A tribuna

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