Conheça a cúpula do PCC

De dentro do presídio de Presidente Venceslau, os líderes da facção ordenam as ações do grupo, que fatura 120 milhões de reais por ano

Marcola (Russo)

Apontado pela polícia como o líder máximo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, comanda as ações da facção de dentro da penitenciária de Presidente Venceslau (SP). Para despistar os investigadores, Marcola passou a ser chamado pelos comparsas com um novo apelido: Russo. A nova investigação do Deic descobriu a nova alcunha quando interceptou uma conversa telefônica entre dois integrantes do PCC: eles comentavam que Russo havia sido transferido para o RDD – na mesma época, Marcola foi isolado na cadeia. Segundo o delegado Ruy Fontes, do Deic, Marcola continua sendo o chefe da facção, mesmo atrás das grades.

Marcola (Russo)

 

Fabiano Alves de Souza (Paca)

É o único integrante da cúpula do PCC, chamada de “Sintonia Fina Geral”, que está em liberdade. Os outros três, Marcola, Gegê do Mangue e Birosca, estão encarcerados em Presidente Venceslau, onde o próprio Paca também cumpriu pena por onze anos e quatro meses – nesse período, ficou algumas temporadas isolado no RDD por mau comportamento. Em liberdade, seguiu para Pedro Juan Caballero, no Paraguai, de onde gerencia a compra da cocaína em países produtores, como Bolívia e Colômbia, e envia carregamentos para o Brasil. Um novo mandado de prisão foi expedido contra ele e a Interpol foi acionada.

Fabiano Alves de Souza (Paca)

 

 

 

Rogério Geremias de Simone (Gegê do Mangue)

Oriundo da segunda geração do PCC, considerada pela polícia mais violenta, Gegê do Mangue é apontado como o possível sucessor de Marcola. Ele subiu na hierarquia da facção depois que mandou matar o juiz-corregedor de Presidente Prudente (SP), Antônio Machado, assassinado em 2003. Gegê do Mangue foi flagrado pela polícia levando um bilhete para Marcola, no qual dizia que o atentado havia dado certo. Em documentos do Ministério Público obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo, ele é citado como um dos líderes do PCC que negociou a paz entre três facções cariocas – é atribuída a ele a frase “o crime fortalece o crime”, dita na reunião entre os líderes criminosos.Rogério Geremias de Simone (Gegê do Mangue)

 

Edilson Borges Nogueira (Birosca)

Birosca é apontado como o chefe financeiro da organização. Considerado o “cabeça” do tráfico em Diadema, na Região Metropolitana de São Paulo, foi preso em 2001 acusado por célebres assaltos a bancos. Birosca também aparece em provas colhidas pelo MP procurando contato com o então vereador de Diadema Manoel Eduardo Marinho (PT) para que este testemunhasse a favor dele na Justiça. Por meio da chamada “Sintonia das Gravatas”, o departamento jurídico da facção, o PCC tentou se infiltrar e influenciar decisões do Judiciário, segundo o Ministério Público.

 

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Cúpula da Administração Financeira

São quatro os chefes do setor financeiro: Amarildo Ribeiro da Silva, o Julio, e Marivaldo Maia Souza, o Tio, ambos presos pelo Deic no último sábado; Sono e Madruga, que continuam foragidos e só foram identificados pelo apelido. O setor financeiro é o responsável por lavar o dinheiro proveniente do tráfico de drogas. Tio, por exemplo, é dono de uma concessionária de carros. Julio foi preso com cinco automóveis de luxo, entre eles um Porshe Cayenne e uma Land Rover.

Cúpula da Administração Financeira

‘Padaria’

O setor monitora três processos do tráfico de drogas: o recebimento de carga do exterior, a armazenagem em depósitos e o encaminhamento para os pontos de venda, mais conhecidos como “biqueiras”. Presos no último sábado, os quatro administradores são: Glauce Jorge Gemaque O´Hara, o Eduardo; Antônio Iranildo Gomes de Souza, o Moringa; Mohamed Dib Issa, o Lucas; e Fabiano Guedes de Medeiros, o Gordão. Com este último, foram apreendidos trinta quilos de cocaína pertencentes a Marcola – os pacotes estavam etiquetados com o apelido Russo –, uma submetralhadora, um fuzil e quatro pistolas. Com cada um deles, foram recolhidos montantes de dinheiro vivo.

 

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Gerentes da ‘boca’

As investigações do Deic contra o PCC avançaram após a prisão de dois gerentes dos pontos de venda de droga da facção na Região Metropolitana de São Paulo. Renato dos Santos Gomes, o Casca, e Anselmo Gonçalves Moreira, o Bô, foram os primeiros a ser detidos em fevereiro. A partir deles, a polícia chegou aos outros 38. Eles foram detidos com cargas de cocaína e documentos de contabilidade do PCC. A polícia montou um organograma operacional da facção. Nele, aparecem 51 pontos de venda controlados pela facção, chamadas de “FMs”.

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Logística

O setor cuida do transporte da droga dos depósitos aos pontos de venda, ou seja, da “Padaria” às “FMs”. Fernando Rasquinho, o Ousadia, é o principal chefe desse setor. É ele quem recruta as “mulas” – pessoas que transportam em mochilas e malas a droga para as “biqueiras” – e gerencia processos de pesagem e empacotamento. Também foram presos Reinaldo Moreira dos Santos, Douglas Conceição Carlos, Mayconi Roger Rasquinho, Matheus Pacheco de Abreu e Mauro Amauri Rodrigues – todos subordinados a Fernando Rasquinho.

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Cobradores

Os traficantes associados ao PCC são obrigados a pagar uma comissão de 600 reais por mês para custear a estrutura da facção e sustentar os familiares dos presos. Essa mensalidade, denominada “cebola”, era arrecadada por Thiago Nascimento de Freitas Cunha, o Boy, preso no último sábado, e Wilson José Lima de Oliveira, o Neno, que está foragido em Orlando, nos Estados Unidos. A Interpol já foi acionada. A polícia ainda investiga o objetivo de ele ter viajado para os Estados Unidos – uma das hipóteses investigadas é a associação com carteis mexicanos.

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‘Mulas’

Menos graduadas na hierarquia da organização, as “mulas” são as pessoas usadas pela facção para transportar a droga em mochilas, malas e roupas. Todas as quinze “mulas” presas pelo Deic são mulheres, entre elas Daiane Santos da Silva, a líder do grupo, e Soraia Aparecido Coelho (foto). Segundo a polícia, a escolha pelo gênero feminino ocorre porque elas são consideradas menos suspeitas do que os homens. A Polícia Civil divulgou imagens de mulas sendo flagradas andando de ônibus e metrô pela cidade com mochilas carregadas de droga.

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Fonte: Veja

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