Duas visões: o Brasil é uma potência global para os americanos?

Durante uma coletiva de imprensa com a presidente Dilma Rousseff na terça-feira, o presidente americano, Barack Obama, respondeu a uma pergunta originalmente direcionada a sua colega brasileira e afirmou que os Estados Unidos veem o Brasil como uma potência global.

A declaração foi feita na Casa Branca em resposta a uma jornalista brasileira, que afirmou que o Brasil se veria como um líder global, enquanto os Estados Unidos veriam o Brasil como líder regional.

A resposta de Obama, que falou antes de a própria Dilma se manifestar sobre o tema, foi interpretada por alguns como sinal de um novo consenso no governo americano sobre o status mundial do Brasil.

Para outros, porém, a manifestação reflete apenas bons modos do anfitrião diante de sua convidada, e não sinaliza grandes mudanças.

A BBC Brasil ouviu dois especialistas nas relações bilaterais e perguntou se o Brasil é ou não uma potência global na visão dos Estados Unidos.

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Sim – Harold Trinkunas, analista de América Latina do Instituto Brookings.

“Acho que o governo Obama realmente está fazendo um esforço para pensar no Brasil como uma potência global.

E muitas das instâncias em que os Estados Unidos interagem com o Brasil internacionalmente são em temas de governança global, como mudança climática, a resposta à crise econômica mundial de 2008, desenvolvimento na África.

Cada vez mais os Estados Unidos interagem com o Brasil de forma global, apesar de obviamente o Brasil continuar a ser muito importante para as Américas enquanto região.

Os Estados Unidos gostariam que o Brasil desempenhasse um papel mais global, apesar de ocasionalmente terem posições diferentes sobre como abordar assuntos internacionais e nem sempre concordarem.

Os Estados Unidos, enquanto potência global, nem sempre recorrem exclusivamente a uma abordagem multilateral para resolver crises, enquanto a abordagem preferida pelo Brasil é o multilateralismo, onde todos os países têm voz e voto igual na resolução dos problemas.

Essas diferenças às vezes ficam claras em temas como comércio ou as crises na Líbia e na Síria. É nesse ponto que ocorre muito da fricção nas relações entre os dois países, apesar de terem muitos objetivos e valores em comum.”

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Não – Peter Hakim, presidente emérito do instituto de análise política Inter-American Dialogue

“Essas são palavras diplomáticas que ele (Obama) está usando, sabendo muito bem que o Brasil quer ser uma potência global.

Não acho que haja mudança na maneira como os Estados Unidos veem o Brasil. Eles ainda veem o Brasil como uma potência regional.

O Brasil ainda é visto por muitos no Departamento de Estado como um país que não é muito cooperativo internacionalmente.

Mas o fato é que o Brasil é convidado para todos os principais encontros internacionais. Os Estados Unidos não teriam oferecido uma visita de Estado a Dilma (em 2013, visita que foi cancelada pela presidente após revelações de que ela era alvo de espionagem americana) se não achassem que o Brasil é um playerinternacional importante.

Não acho que o presidente Obama estava mentindo ou apenas tentando agradar Dilma.

Mas, ao mesmo tempo, o Brasil não é a China, não é a Alemanha. Ainda está tentando alcançar esses países.”

Fonte: BBC

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