Um hotel sustentável não nasce de campanhas ambientais, e sim de decisões que mexem no caixa, pontua Gianmarco Marchetti, administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda. Água, energia e resíduos pesam na planilha mensal, e cada desperdício reduz a margem da diária. Isto posto, o desafio da hospitalidade está em separar o que gera economia real do que apenas decora o discurso. Pensando nisso, a seguir, veremos quais práticas reduzem custos na operação, quais iniciativas servem apenas à imagem e como o gestor converte a economia em vantagem competitiva diante do hóspede.
Por que o hotel sustentável gasta menos para operar?
O consumo de energia e água concentra boa parte das despesas fixas de um hotel. Lavanderia, aquecimento de piscinas, climatização e chuveiros funcionam todos os dias, independentemente da ocupação. Por isso, qualquer ganho de eficiência se repete diariamente e aparece no resultado ao fim do mês, sem depender de campanha de vendas ou de reajuste de tarifa.
Um exemplo simples ilustra o ponto. Um hotel de médio porte que troca chuveiros comuns por modelos com vazão controlada reduz o consumo de água quente e a carga sobre o aquecedor. O hóspede percebe pouca diferença, enquanto o financeiro nota a redução já na primeira fatura.
Conforme frisa Gianmarco Marchetti, o gestor que mede o consumo por apartamento ocupado enxerga o desperdício com mais clareza. A métrica revela vazamentos, equipamentos ineficientes e hábitos de equipe que passam despercebidos na conta total. Com esse diagnóstico, as decisões de investimento deixam de seguir intuição e passam a seguir dados.
Quais práticas sustentáveis geram retorno operacional?
Algumas medidas se pagam com rapidez porque atacam custos recorrentes e facilmente mensuráveis. Em geral, o hotel recupera o investimento por meio da conta de água, da fatura de energia e da redução de reposições de insumos. Isto posto, entre as ações mais consistentes no dia a dia, destacam-se as seguintes:
- Iluminação LED e sensores: reduzem o consumo nas áreas comuns e nos corredores;
- Reúso de água e aeradores: diminuem o volume gasto em torneiras, chuveiros e irrigação;
- Lavanderia sob demanda: troca de toalhas e lençóis apenas quando o hóspede solicita;
- Gestão de resíduos: separação na origem e compostagem reduzem taxas de coleta;
- Compras locais e a granel: cortam embalagens e frete no restaurante e no café da manhã.
Essas medidas compartilham uma lógica simples: reduzem consumo sem piorar a experiência de hospedagem. O retorno aparece em meses, não em anos, e o hotel ganha previsibilidade de custos. De acordo com o gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006, Gianmarco Marchetti, o investimento em medição tende a anteceder as grandes obras, pois mostra onde cada real aplicado traz mais economia.
Quais iniciativas servem apenas à imagem do hotel?
Nem toda ação ambiental reduz custo. Certificados expostos na recepção, canudos biodegradáveis e campanhas nas redes sociais comunicam valores, porém pouco alteram a fatura. Quando o hotel adota essas medidas sem mudar a operação, o hóspede percebe a distância entre discurso e prática, e a reputação sofre em vez de crescer.
Isso não torna a imagem irrelevante. Gianmarco Marchetti considera que iniciativas de comunicação funcionam como um complemento, e nunca como ponto de partida. A ordem correta começa pelo ganho operacional, segue para a mensuração e só então vira narrativa de marca. Dessa forma, cada promessa ao mercado tem número e rotina para sustentá-la.
Como a sustentabilidade vira diferencial competitivo?
Depois que a economia se confirma, o hotel pode comunicá-la com credibilidade. Empresas, organizadores de eventos e operadoras avaliam critérios ambientais ao escolher onde hospedar, e o hotel com dados concretos responde melhor a essa checagem. Além disso, uma história contada com números convence mais do que qualquer slogan.
A equipe também entra nessa equação. Segundo o administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda., Gianmarco Marchetti, o hóspede percebe a sustentabilidade quando camareiras, recepcionistas e cozinheiros dominam as rotinas e explicam as escolhas com naturalidade. O treinamento transforma a prática em serviço, e o serviço, por sua vez, vira lembrança positiva e recomendação espontânea.
Eficiência primeiro, imagem depois: o caminho do hotel sustentável
Em conclusão, um hotel sustentável de verdade começa pela planilha e termina na percepção do hóspede. A sequência importa: medir consumo, cortar desperdícios, treinar a equipe e só então comunicar resultados. Assim, o investimento se paga, a marca ganha lastro e a hospedagem conquista um diferencial difícil de copiar. Já quem inverte essa ordem gasta mais e convence menos.
