Chuvas acima do normal: por que setembro está tão chuvoso em parte do Brasil e quais cuidados tomar

Por Eva Corvella
9 Min de leitura
Chuvas acima do normal: por que setembro está tão chuvoso em parte do Brasil e quais cuidados tomar

Registros de chuva já bateram recordes em cidades de São Paulo, enquanto novas instabilidades devem atingir diferentes regiões nos próximos dias.

Setembro de 2026 está chamando a atenção dos meteorologistas pela quantidade de chuva registrada em partes do Brasil, especialmente no estado de São Paulo. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mostram que algumas estações paulistas já superaram, nos primeiros 14 dias do mês, os maiores volumes históricos registrados anteriormente para setembro. Em São Paulo, no Mirante de Santana, o acumulado chegou a 253,8 milímetros, acima do recorde anterior de 243,1 milímetros, registrado em 1983. Em Iguape, no litoral sul, foram 331,2 milímetros.

O cenário merece atenção não apenas de quem vive em áreas sujeitas a alagamentos ou deslizamentos. Chuva acima do normal pode afetar trânsito, transporte público, viagens, energia elétrica, abastecimento e atividades ao ar livre. Além disso, a previsão do INMET indica que a instabilidade continua em diferentes pontos do país, tornando importante entender o que está acontecendo e quais cuidados podem reduzir riscos no dia a dia.

Por que está chovendo tanto em setembro e o que dizem os dados

A atual sequência de chuvas está relacionada a uma combinação de sistemas atmosféricos que aumentam a instabilidade sobre o centro-sul do país. Segundo o INMET, uma frente fria que passou pelo Oceano Atlântico, associada à entrada de ar frio sobre o centro-sul brasileiro, favoreceu a formação de áreas de instabilidade entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em seguida, a presença de uma área de baixa pressão na costa do Sudeste e de um canal de umidade manteve condições favoráveis para novas pancadas e tempestades.

Os números ajudam a dimensionar o fenômeno. Em Bragança Paulista, o acumulado de setembro chegou a 273,8 milímetros até o dia 14, 160,8% acima do antigo recorde mensal de 105 milímetros. Em São Paulo, a estação de Interlagos registrou 245,8 milímetros, enquanto Registro chegou a 242,6 milímetros e Barra do Turvo, a 248,2 milímetros. Como os números são parciais, o acumulado definitivo do mês ainda poderá ser maior.

O episódio também precisa ser observado dentro de uma perspectiva mais ampla. Na previsão climática divulgada anteriormente, o INMET já apontava possibilidade de chuva acima da média histórica durante setembro em áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Agora, a previsão para o período de 14 a 21 de setembro mantém expectativa de volumes elevados em partes do Sul e Sudeste, com acumulados que podem superar 100 milímetros em determinadas áreas do Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Quais regiões podem ter chuva forte nos próximos dias

Para os dias 15 e 16 de setembro, o INMET prevê continuidade das condições de instabilidade no Sudeste, com possibilidade de chuva e tempestades isoladas, principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro, sudeste de Minas Gerais e Espírito Santo. O instituto também aponta influência de um canal de umidade que se estende do oeste da Região Norte pelo Centro-Oeste até o Sudeste. Isso significa que a ocorrência de chuva forte não deve ser interpretada como um problema restrito a uma única cidade, já que os sistemas atmosféricos podem provocar mudanças rápidas nas condições locais.

A previsão para toda a semana também merece atenção no Sul. O INMET indica que os maiores acumulados entre 14 e 21 de setembro devem ocorrer especialmente no Paraná, incluindo Curitiba e sua região metropolitana, litoral, áreas central e oeste do estado. Em Santa Catarina, os principais volumes são esperados em regiões como Joinville e Criciúma e ao longo do litoral, enquanto o Rio Grande do Sul deve ter períodos de chuva mais localizada e possibilidade de precipitação intensa no entorno da Lagoa dos Patos e Pelotas no fim de semana.

No Sudeste, Minas Gerais e Rio de Janeiro aparecem entre as áreas que podem registrar volumes elevados durante a semana. O INMET prevê acumulados superiores a 100 milímetros em pontos do Campo das Vertentes e Zona da Mata mineira, além de áreas serranas e do norte fluminense. Como os volumes podem variar bastante dentro de uma mesma região, o morador deve acompanhar os avisos meteorológicos oficiais para sua cidade, em vez de considerar apenas a previsão estadual ou regional.

Para o cidadão, essa diferença é importante porque chuva acumulada não é o único fator de risco. Uma tempestade de curta duração pode produzir alagamentos mesmo quando o volume total do dia não parece excepcional, principalmente quando o solo já está encharcado. Por isso, regiões próximas a rios, córregos, encostas e áreas historicamente afetadas por enchentes precisam de atenção especial durante novos episódios de chuva.

O que fazer durante uma tempestade e como reduzir os riscos

O primeiro cuidado é evitar deslocamentos desnecessários durante períodos de chuva intensa, principalmente em regiões com histórico de alagamentos ou deslizamentos. Motoristas não devem tentar atravessar áreas alagadas, porque a profundidade e a força da água podem ser maiores do que aparentam e podem comprometer a estabilidade do veículo. Também é recomendável evitar estacionar próximo a árvores, postes, placas, muros e estruturas que possam cair durante rajadas de vento.

Quem estiver em casa também deve prestar atenção a sinais de risco, como movimentação de terra, rachaduras novas em paredes ou terrenos, inclinação de árvores e aumento repentino do nível de córregos e rios. Em caso de alagamento, a orientação mais segura é buscar um local elevado e não permanecer em áreas onde a água esteja subindo rapidamente. Equipamentos elétricos que possam entrar em contato com a água devem ser desligados somente se isso puder ser feito com segurança.

Outro ponto importante é acompanhar informações oficiais antes de sair de casa. O próprio INMET mantém avisos meteorológicos, previsões e dados de monitoramento, enquanto órgãos estaduais e municipais de Defesa Civil divulgam alertas específicos para áreas de risco. A existência de chuva forte não significa que todas as localidades terão o mesmo nível de perigo, portanto, consultar a informação oficial da região é mais útil do que compartilhar mensagens genéricas nas redes sociais.

Para quem precisa viajar, estudar presencialmente ou trabalhar fora, a recomendação prática é verificar a previsão pouco antes do deslocamento e considerar possíveis alterações no trânsito. Em períodos de solo encharcado, problemas como quedas de árvores, deslizamentos e interrupções de rodovias podem ocorrer mesmo depois que a chuva diminui. A situação de setembro mostra por que acompanhar a meteorologia deve fazer parte da rotina em períodos de instabilidade prolongada, especialmente nas regiões onde os acumulados já ultrapassaram recordes históricos.

Os dados mais recentes mostram que a chuva excepcional de setembro ainda não terminou. O INMET informa que novas áreas de instabilidade devem continuar atuando nos próximos dias, enquanto diferentes pontos do Sul e Sudeste permanecem entre as regiões com possibilidade de acumulados elevados.

Para o brasileiro, a principal lição é prática: não basta olhar se vai chover; é preciso observar a intensidade, o acumulado, os alertas e as condições da própria região. Quem mora em áreas vulneráveis deve ter atenção redobrada e acompanhar os canais oficiais de Defesa Civil. Já quem precisa dirigir, viajar ou circular pela cidade pode reduzir riscos planejando os horários e evitando locais conhecidos por alagamentos. Em um mês que já registrou recordes de precipitação em várias localidades, informação atualizada pode fazer diferença para proteger pessoas, veículos, imóveis e a própria rotina.

Fontes verificáveis: INMET — recordes de chuva em São Paulo · INMET — previsão de 14 a 21 de setembro · INMET — previsão para 15 e 16 de setembro

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