A atividade econômica brasileira voltou a crescer em maio depois de um início de ano irregular.
A economia brasileira cresceu 0,7% na passagem de abril para maio, e no trimestre móvel terminado em maio a alta foi de 1,9% na comparação com o mesmo período de 2025. O dado interrompe dois meses de fraqueza e devolve alguma confiança ao mercado, ainda que com ressalvas. Acessa
Os números fazem parte do Monitor do PIB, estudo mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas e divulgado nesta semana. O resultado de maio retoma a trajetória positiva na comparação entre meses imediatamente seguidos, depois de recuo em abril e estabilidade em março, o que ajuda a explicar por que o dado foi recebido como um sinal de retomada.
Consumo das famílias segue como motor da economia
O principal responsável pelo resultado positivo continua sendo o bolso do consumidor. O consumo das famílias cresceu 3,3% no trimestre encerrado em maio, alcançando o maior patamar desde o quarto trimestre de 2024, quando havia avançado 4%. Mais de 60% desse resultado veio do consumo de serviços e de bens duráveis. Esse movimento tem sustentado boa parte da atividade econômica nos últimos meses, mesmo diante de outros setores mais fracos.
A coordenadora do estudo, economista Juliana Trece, chamou atenção para as fragilidades por trás do número positivo. Segundo ela, a economia siga em crescimento, há alguns sinais importantes de arrefecimento que já aparecem no resultado. A leitura da FGV é que a dependência do consumo doméstico, sem o mesmo fôlego de exportações e investimentos, pode limitar o ritmo de expansão nos próximos meses.
Investimento e comércio exterior têm comportamento misto
Nem todos os indicadores caminharam na mesma direção. As importações cresceram 8,9%, no terceiro trimestre móvel seguido de alta, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo, que mede o investimento em máquinas e equipamentos, teve expansão de 2% no trimestre móvel. Já as exportações desaceleraram: cresceram 4,3%, o menor avanço desde o segundo trimestre de 2025.
Em termos absolutos, o tamanho da economia brasileira segue em patamar elevado. O PIB acumulado até maio, em valores correntes, é estimado em R$ 5,466 trilhões. Para efeito de comparação, outro indicador oficial, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, apontou expansão mais modesta no mesmo período, o que reforça a leitura de um crescimento ainda desigual entre os setores.
O que esperar para o restante do ano
As projeções de mercado para 2026 seguem moderadas, mas positivas. O relatório Focus, sondagem do Banco Central com instituições financeiras, estima que a economia brasileira vai terminar o ano com alta de 1,99%, enquanto a previsão do Ministério da Fazenda é de variação de 2,3%. A confirmação desses números depende, principalmente, da manutenção do consumo das famílias e de uma eventual recuperação da indústria e das exportações no segundo semestre.
Fontes:
Agência Brasil | Brasil 247
