Fenômeno ocorre na noite de 27 para 28 de agosto e terá transmissão ao vivo do Observatório Nacional.
Um dos principais eventos astronômicos de agosto poderá ser acompanhado diretamente do Brasil na madrugada desta sexta-feira (28). O eclipse lunar parcial profundo acontece na noite de quinta-feira (27) para sexta e terá 96,2% do disco da Lua encoberto pela sombra da Terra, fazendo com que o fenômeno tenha aparência próxima à de um eclipse total. Segundo o Observatório Nacional, todas as fases poderão ser acompanhadas no país, desde que as condições meteorológicas permitam a observação. (Serviços e Informações do Brasil)
A oportunidade chama atenção porque o eclipse solar ocorrido em 12 de agosto não pôde ser observado do território brasileiro. Agora, o cenário é diferente: não será necessário viajar para outro país, comprar equipamentos especiais ou utilizar filtros para os olhos. A principal dúvida para quem pretende acompanhar o fenômeno é justamente qual será o melhor horário, onde olhar e como fotografar a Lua usando apenas o celular.
Que horas será o eclipse lunar de agosto de 2026 no Brasil?
O eclipse começa ainda na noite de quinta-feira, 27 de agosto, mas nem todas as etapas terão a mesma intensidade visual. De acordo com o Observatório Nacional, no horário de Brasília, a fase penumbral começa às 22h24, enquanto a fase parcial tem início às 23h34. O momento máximo está previsto para 1h13 da madrugada de sexta-feira, quando 96,2% da Lua estará dentro da umbra, a região mais escura da sombra terrestre. (Serviços e Informações do Brasil)
A fase parcial termina às 2h52, e o eclipse penumbral chega ao fim às 4h02. Isso significa que o fenômeno completo dura várias horas, mas quem estiver interessado principalmente na transformação visual da Lua deve priorizar o intervalo entre aproximadamente 23h30 e 2h50. A duração oferece uma vantagem para quem depende das condições do céu, pois uma eventual abertura entre as nuvens ainda poderá permitir a observação em algum momento. Em São Paulo, por exemplo, o início da fase parcial está previsto para aproximadamente 23h33 e o máximo para 1h12, de acordo com cálculos astronômicos locais. (Time and Date)
O fenômeno será perceptível em praticamente todo o território nacional. O Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) informa que o eclipse poderá ser observado em cerca de 93% do território brasileiro, enquanto o Observatório Nacional afirma que todas as fases serão visíveis no país. A diferença está relacionada às condições de visibilidade em cada local e ao posicionamento da Lua no céu. Por isso, moradores de áreas urbanas devem procurar um ponto com horizonte relativamente aberto e pouca iluminação direta. (Serviços e Informações do Brasil)
Por que a Lua fica avermelhada durante o eclipse?
O eclipse lunar acontece quando Sol, Terra e Lua ficam alinhados de maneira que a sombra projetada pela Terra atinge a superfície lunar. A sombra possui uma região externa, chamada penumbra, e uma região central mais escura, conhecida como umbra. Quando a Lua entra na umbra, parte significativa de sua iluminação direta pelo Sol é bloqueada, produzindo o característico aspecto de uma “mordida” escura no disco lunar. (Serviços e Informações do Brasil)
A coloração avermelhada que pode aparecer durante o fenômeno está relacionada à atmosfera terrestre. Mesmo quando a Terra bloqueia a luz solar direta, parte da luz atravessa a atmosfera, onde ocorre um processo de espalhamento e refração que deixa chegar à região da Lua principalmente comprimentos de onda associados às cores avermelhadas. É um mecanismo semelhante ao que ajuda a produzir tons vermelhos e alaranjados no nascer e no pôr do Sol, embora o efeito observado em um eclipse dependa também das condições atmosféricas do planeta. (Serviços e Informações do Brasil)
Apesar de ser chamado informalmente de “Lua de Sangue” em conteúdos populares, o termo não indica qualquer alteração física perigosa na Lua. Também não há risco para a visão durante um eclipse lunar. Diferentemente de um eclipse solar, que exige proteção adequada para evitar danos à retina, o eclipse da Lua pode ser observado diretamente a olho nu, segundo especialistas do Observatório Nacional. Binóculos e telescópios podem melhorar a experiência, mas são opcionais. (Serviços e Informações do Brasil)
Para quem pretende fotografar, um celular pode registrar o fenômeno, embora seja importante reduzir expectativas: o tamanho aparente da Lua no enquadramento costuma ser pequeno quando a câmera está em configuração automática. Um tripé ou apoio firme ajuda a evitar imagens tremidas, enquanto o modo manual, quando disponível, permite reduzir a exposição e ajustar o foco. Quem utilizar uma câmera com lente teleobjetiva terá mais facilidade para registrar detalhes da superfície lunar e a mudança de luminosidade ao longo das fases.
Como acompanhar o eclipse se o céu estiver nublado?
A previsão do tempo será um dos principais fatores para quem pretende observar o eclipse presencialmente. Mesmo que o fenômeno seja visível em determinada região, nuvens espessas podem impedir completamente a visualização da Lua. Por isso, vale consultar a previsão meteorológica poucas horas antes do evento e, se necessário, procurar um local próximo com céu mais aberto, sempre priorizando segurança e evitando deslocamentos para áreas isoladas durante a madrugada.
Existe também uma alternativa para quem não conseguir observar diretamente. O Observatório Nacional informou que realizará uma transmissão ao vivo do eclipse pelo programa “O Céu em sua Casa: observação remota”, com início previsto para as 23h de quinta-feira (27). A iniciativa utiliza imagens produzidas por parceiros astrônomos amadores e profissionais, permitindo acompanhar o fenômeno pela internet mesmo quando o céu local estiver encoberto. (Serviços e Informações do Brasil)
A transmissão também amplia o acesso ao evento para estudantes, professores e famílias que queiram transformar a madrugada em uma atividade de divulgação científica. A NASA confirma que o eclipse parcial de 27 e 28 de agosto estará dentro da faixa de visibilidade que inclui as Américas, Europa, África e parte da Ásia Ocidental. No caso brasileiro, a vantagem é especialmente significativa porque o fenômeno poderá ser acompanhado em praticamente todo o país sem a necessidade de equipamentos especializados. (NASA Science)
Para quem gosta de astronomia, portanto, o evento reúne três características pouco comuns: grande percentual de cobertura da Lua, ampla visibilidade no Brasil e possibilidade de acompanhamento presencial ou pela internet. O Observatório Nacional destaca que o obscurecimento de 96,2% torna o eclipse visualmente próximo de um evento total, embora tecnicamente ele continue sendo classificado como parcial. (Serviços e Informações do Brasil)
A madrugada de 28 de agosto será, assim, uma boa oportunidade para observar um fenômeno astronômico sem sair do Brasil. Quem quiser aproveitar melhor deve escolher antecipadamente um lugar com visão livre do céu, conferir a previsão de nuvens e programar um alarme para não perder o período de maior cobertura. Também vale deixar o celular carregado caso a intenção seja fotografar ou acompanhar a transmissão oficial. O próximo eclipse lunar visível no Brasil será menos expressivo, enquanto um eclipse lunar total observado em todo o país está previsto somente para a noite de 25 para 26 de junho de 2029. (Serviços e Informações do Brasil)
