Na visão do desenvolvedor imobiliário Guilherme Campos, a ideia de que instalar painel solar “zera a conta de luz” ainda circula com força entre quem está avaliando o investimento agora, em 2026, mesmo depois de mudanças na legislação que tornaram essa promessa bem menos precisa do que era há alguns anos, sobretudo para quem instala o sistema hoje.
Até o início de 2023, cada quilowatt-hora injetado na rede valia exatamente um quilowatt-hora de abatimento na conta, sem nenhum desconto sobre esse valor. Isso mudou com a Lei 14.300, que criou uma cobrança progressiva sobre a energia solar gerada e injetada na rede de distribuição.
A ideia de que painel solar sempre zera a conta de luz
Quem instalou sistema fotovoltaico antes de 2023 segue protegido pelas regras antigas até 2045, o que explica por que muita gente ainda associa energia solar a conta praticamente zerada, repetindo uma experiência que já não se aplica a quem está decidindo instalar agora. Só que essa vantagem não vale mais para quem instala hoje.
Nesse contexto, Guilherme Campos aponta que esse desconhecimento sobre a diferença de regime costuma gerar expectativa de retorno maior do que o sistema realmente vai entregar para instalações novas, o que frustra quem fecha o investimento sem essa informação em mãos.
O que mudou com a Lei 14.300 e a cobrança do Fio B?
A lei criou uma cobrança escalonada sobre um componente da tarifa chamado Fio B, que em 2026 já chega a 60% do valor cobrado pela distribuidora sobre a energia excedente injetada na rede, com novos aumentos programados para os próximos anos. A consequência negativa disso é que tal fenômeno acaba reduzindo o valor efetivo de cada crédito de energia gerado pelo sistema.

Na prática, o que acaba acontecendo é que o crédito por quilowatt-hora injetado hoje gira em torno de sessenta a setenta centavos, dependendo da distribuidora, um valor bem menor do que a compensação integral que existia antes da mudança na regra. Por conseguinte, acaba-se alterando diretamente o tempo de retorno do investimento inicial. Por conta disso, investidores novos entrando no setor por agora precisam ter paciência calma, sem esperar que dividendos ocorram muito rapidamente, alerta Guilherme Campos.
Por que isso importa mais para condomínios e loteamentos?
Empreendimentos com muitas unidades consumidoras costumam ser justamente os que mais avaliam geração compartilhada, modelo em que várias unidades dividem os créditos de um mesmo sistema fotovoltaico instalado numa área comum, como o telhado da portaria ou um terreno reservado dentro do próprio empreendimento.
Guilherme Campos considera que, para esse tipo de projeto, entender a cobrança do Fio B antes de fechar o investimento é o que separa uma decisão bem informada de um cálculo de retorno inflado, baseado em regras que já não valem mais para sistemas novos instalados a partir de 2023.
Como dimensionar certo dentro das novas regras?
Em conclusão, conseguimos notar que dimensionar o sistema para gerar o mais próximo possível do consumo simultâneo, em vez de acumular grande excedente para venda posterior, reduz a exposição à cobrança sobre a energia injetada e melhora o retorno real do investimento ao longo dos anos seguintes.
Na análise de Guilherme Campos, empresário do setor imobiliário e agro, o momento pede simulação cuidadosa em vez de decisão baseada em promessa genérica de conta zerada, já que o retorno segue existindo, mas em patamar diferente do que valia antes de 2023, exigindo um cálculo mais realista desde o início do projeto. Quem quiser acompanhar mais sobre inovação e sustentabilidade na construção pode seguir o perfil @guicamposvlg no Instagram.
